segunda-feira, janeiro 21, 2019

achados da máquina de escrever:

I.
os olhos ardem.
não sei se
do sol,
do sono, ou
do choro.

II.
e eu me vi ali
tentando decifrá-lo outra vez:
procurando um sinal,
dois ou três...

III.
sim ao desapego,
sim ao não ter medo.
sim ao fim.
sim pra mim.

IV.
pensei em ti:
não consegui.

V.
e tudo tem mais cor,
tudo cheira a flor:
amor?

VI.
bicho-preguiça,
senta, toma um chá.
me conta uma história,
me abraça no sofá!

VII.
encantamento lento
e, ao mesmo tempo, urbano.
impermeável cimento,
movimento cigano.
ora te (me) fragmento,
ora penso que te amo.

VIII.
arrumei o quarto pra você,
me ajeitei por dentro
e ninguém veio,
ninguém bateu à porta.
e a noite foi, eu fui,
e continuo indo...

IX.
a expectativa
      me move
           para a
               angústia.

X.
água mole em pedra dura, pedra, pedra até que pedro.
no meio do caminho havia um pedro, havia um pedro no meio do caminho.

XI.
cabe tanta alegria num corpo só?
junto o meu, o teu
e dou um nó.

XII.
passa, apressa, volta. fica?

XIII.
floripa bonita,
te tenho agora na memória
feito um abraço terno.
quanto sorrir, tanta história...
raspa de sol que me aqueceu o inverno.
jul. 2014 (violão, pedro e cobertor)

XIV.
compensará
o preço a pagar
pela ansiedade da espera,
só, e somente só,
o esperado deixar
de ser quimera.

XV.
o que eu sinto não tem prazo de validade.
assim, eu sinto agora,
antes que tarde.
não tire isso de mim,
não antecipe a hora do fim.

XVI.
tudo lindo!
tudo indo...
tudo findo.

XVII.
a língua aflita
denuncia as mãos trêmulas,
feito um terremoto de palavras
que não chegam a desprender dos lábios.
não fosse isso
e era o choro escancarado.
mas só choveu silêncio aquela noite...

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