quinta-feira, janeiro 21, 2021

brisas.

querendo misturar todas as coisas que estavam pelos papéis e nunca se encontraram. o tempo é uma realidade que se encerra no instante. sua existência não pode durar de um instante a outro. e no instante presente que se faz o real, é onde meu ser toma consciência de si mesmo. o instante é a solidão, diria bachelard. seria então na solidão o ato de conscientizar-se em si? talvez a única maneira de abstrairmos todo o resto e, por fim, agir. atitude é aquela posição que a gente toma frente ao mundo, mais estável que a percepção, pois é formada por uma sequência de percepções: as experiências. a partir das nossas experiências é que agimos, e, ainda que compartilhemos muitas percepções comuns, a visão do mundo é quase sempre uma perspectiva pessoal. é nesse perceber que tuan diz que nos estendemos para esse mundo, de maneiras diferentes a cada etapa de nosso ciclo vital. o jovem fantasia o futuro; o velho, o passado. sou uma jovem-velha, ou uma velha-jovem. a percepção tende a mudar depois da vivência. familiaridade pode gerar não só afeição, mas também o desprezo. e é assim não apenas com os lugares no sentido físico da palavra. pessoas são lugares. muitas vezes aquele canto é tanto a lembrança de alguém que o lugar se personifica nele e, sem ele, não há lugar. não há chão, nem céu, nem meio do caminho. transitar é experenciar. quero uma vida em constante trânsito e estar lá, e, ao mesmo tempo, ir ficando por aqui.

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