sábado, abril 02, 2016

o dia em que fui rizoma.

E se eu fosse uma árvore?, pensei.
Deitada, olhando as copas mais além.
Mas meu corpo tocou a grama e a grama me tocou.
(Con)fusão: ali fui grama também.

Esticando, expandindo, espalhando,
não mais me reconheço
nessa metamorfose enigmática.
Tão cotidiana, mas quase invisível, permaneço:
resistência rizomática.

Na multiplicidade, grafo o mundo.
Linhas contínuas, linhas de fuga, linhas retas.
Há outros traçados sob o caminho que agora fundo,
Mas não há só uma trajetória correta.

Agarro-me ao solo, aos brotos, aos talos,
Ramifico em todas as direções simultaneamente.
Cada ramo cresce em direção à sua luz,
num ângulo e intensidade diferentes.

Entrecruzamento de desejos.
Movimento-me para o devir
num pensamento que me reincorpore.
Abro os olhos e vejo
que há outras histórias a se construir!
Gosto de ser grama: já não quero ser árvore.




jun/2015

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